Salto Alto Das senzalas dos tempos modernos, Das castidades precoces do ser menina, Das desventuras de não ser o que se acredita belo, De lá viemos e aqui vivemos, Evoluindo ao passo das chicotadas, No compasso dos dissabores. Na falta de água, bebendo amores, (E como falta água por aqui) Se diz-se que mar sereno Nunca fez bom marinheiro, guerreiras nós somos, feitas por terra em tremores. De certo que escada ainda há pra subir, Em busca do pôr de sol que traga a lua de nós mesmas, Degraus desenhados com as pedras que estavam nos caminhos, Mas aí estamos, vivendo os processos, cabeça agora erguida, de salto auto, com “u” de “propósito” Mulecas de rua, de ringues, de lua, Exalando doce mel sem deixar de ser cachaça que é forte e ardente, Buscando homem, mulher ou cabra que nos acompanhe, Fazendo arroz, bolando de três dedos e ainda girando o bambolê. Deborah Monteiro ----------------------...