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Ao meio...

Palavra que encontra olhar correspondente. É o óbvio desenterrado. Os pés palpitam. Suspendem o que era peso. Para cima, para cima, para cima. Pois é de lá que se deve jogar a verdade. Retirada a máscara de anos. Nos segundos que duraram o “Te amo”. Ela ainda está caindo, caindo, caindo. Nem pensa se ele se joga ou não. Mergulha no vento. Acaba-se em choque ou há um portal para algo de novo, surreal? Ela nem sabe. Nem pergunta. Ele também não é senhor do destino. Impacientemente vivem. Em música, poesia, cheiro e pele, esses idiomas nos quais se compreendem completamente. Mutuamente completando-se. Inteiros.

Pluma e Pedra

Eu te daria Levasse onde quisesse Eu deixaria Seria presente da vida  Com olhos brilhando de tardezinha no quintal Mas pra mim é pluma  Pra você é pedra Não rima nem em poema Lido enrustido em cama de hotel Então não entrego, e nego e nego e nego Sabendo que daria Mas tem pena não A mim não pesa Eu jogo pro alto E cai poesia.

Vã melodia

Prova, prova, prova, novamente sou isso ou aquilo... Roda, roda, roda, por que mais uma vez tanto giro? Escolha, anda, escolha, que o amanhã chega tal qual um tiro! Fiz do tempo um titã inimigo. Plantei flores, mas não ouvi grilos. Nesta tarde que se faz vazia, Aproveito tua vã melodia Para amar todo amor não escrito.

Cacos

Hoje, lavando louça, derrubei duas canecas. Chorei. Não os cacos, não o chão, nem trabalho ou dinheiro. Chorei minhas mãos que não sabem mais segurar Ou preferem deixar cair o que não quer ficar por inteiro.
"Só o samba salvará. Saravá!"
“E que tal um poliamor de ilusão? Você, eu, os poemas e não esqueça de trazer o violão!”

Em-corpo-oração

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  Baque pesado Suor, destreza   Vôo ousado   Fênix negra Me sinto uma fera Antes capturada Agora em fuga De volta à manada Pois é, descobri De onde vim   Vim dali Me reconheci No espelho da cor Mentiam pra mim Mas achei um   tambor Que guiou meus quadris E contou quem eu sou Livrou meus sentidos Do medo cristão Que venha do vento a corpo-oração.

Vidadentrodevida

Paixão... palavra que não me define, mas interpreta sozinha a maior porção do que sempre fui. Fui menina, muito curiosa, muito atrevidinha, muito de ponta cabeça para o mundo.  Sonhava em ser palhaça, queria fazer rir. A mãe, as tias, a vó, o pai, mas, principalmente, as outras crianças me educaram. Ergueram-me ao pódio de “maluca”, honra que procuro cultivar sempre. Sempre quis ser diferente. Não por loucura, mas pela sensatez de pensar que o que o mundo é está longe do que devia ser. Lendo e vivendo descobri que meu impulso não era novo, já atormentava outros seres humanos dos tempos antigos até agora. Uni-me então a grupos, um em especial, em que conheci garotas e garotos tão atormentados quanto eu. Entre eles, uma grande amiga que até hoje me acompanha, uma artista e arteira da vida que me faz sempre refletir sobre o que é ser mulher, do batom ao útero. Os demais ficaram por lá, para mim são memórias, boas, mas ainda memórias. De pessoas que sumiram quando a maior de tod...

Entre mitos e seres, nós dois...

Armadura, espada, sou guerra Outras armas escondo nas saias E se saio rodando com raios Só preciso das rodas, as laias Na verdade, cê sabe, meu peito Quer, ao menos, o amor sem ataques Se me abro em sorriso, sem jeito É por que no teu colo desfaço A loucura q trago por dentro Me adentro nesse novo espaço Onde não haja discernimento Do que somos por dois ou três fatos Do teu trono, cê faz que nem vê Engraçado teu medo de mel Canta sempre da paz e da calma Foge tanto do que é tão real Mas quem sabe um dia a coroa Caia junto com a minha armadura E amor seja única alma Que atinja essa nossa doçura

Seguimos

Silêncio que canta Idioma sem fala Passo após passo De fios são os laços De fé se faz calma Viver pelo quê? Questiona o amigo Ainda não sei Só digo que sigo Eu brindo à pergunta Você me afaga Dançamos com os olhos Os sambas e os fados De alma pra alma

Sobre olhos e pés

Quem lê cria cor em silêncios, estações em segundos, planetas sem par. Quem dança desliza nos sons, mobiliza elementos, dá nó em pingo d´ar. Mas mundo não é sempre lento, não é só bagunça. Nem tento explicar Só sei dessa vida que ela é mais vivida se ocê concilia o ler e o dançar.

Para Cézar Junqueira D. C. Reli

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Com tanto céu por aí... Tens asas e deves voar. Ser livre, se achar sem ferir. Ser simples no ser e estar. Que o ar de aquário te leve e que seja leve em dançar. Que  Exú e a criança te ensinem a ser quem já  é e a mudar. Não pare na pista, não tema. Não pode se acostumar, A gente precisa de gente com a garra que tens pra lutar. Assim meu amigo, te quero... Sê livre que o mundo é teu lar.

Visceral

Menino de corpo de bicho, natural, desejos de  ingênuo animal;  seguisse sem dó nem maldade, nem atrocidades, instinto leal. É filho da dona do Vento. Temporal E venta pra lá e pra cá, Se ama, ou se odeia Se ri e rodeia... O que é que essa vida quer dele afinal?
Ideias, ideias, deias de amor... São elas quem mudam e não ele. O que senti, ainda sinto, não é menos, não é mais, menos ainda, demais. Os “demais” então foram  ideias do que ele deveria tornar-se. O erro não é o amor, o erro é expectativa de que este seja água para um copo de formato específico, seja palco de cena já escrita. Não existem quadrados que por si abriguem o que a gente tem por dentro de dentro do centro de nós. O amor é o que é e a gente fica querendo que seja outra coisa mais prática, lógica, terra... Amor é água, pode encher muitas formas de copos, todas até.. mas é mais Ele se é livre. Gota, rio, mar, tempestade. Amor há, entre nós, você e elas, outros e eu, é o que é. E que continue sendo para que as transformações só ocorram ao natural, nascendo da disposição dos corpos e de nada mais.                 Por isso, para que saiba e apenas para que saiba, só mesmo por que é injusto esconder ...
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Salto Alto Das senzalas dos tempos modernos, Das castidades precoces do ser menina, Das desventuras de não ser o que se acredita belo, De lá viemos e aqui vivemos, Evoluindo ao passo das chicotadas,  No compasso dos dissabores. Na falta de água, bebendo amores, (E como falta água por aqui) Se diz-se que mar sereno Nunca fez bom marinheiro, guerreiras nós somos,  feitas por terra em tremores. De certo que escada ainda há pra subir, Em busca do pôr de sol que traga a lua de nós mesmas, Degraus desenhados com as pedras que estavam nos caminhos, Mas aí estamos, vivendo os processos,  cabeça agora erguida,  de salto auto, com “u” de “propósito” Mulecas de rua, de ringues, de lua, Exalando doce mel sem deixar de ser cachaça que é forte e ardente, Buscando homem, mulher ou cabra que nos acompanhe, Fazendo arroz, bolando de três dedos e ainda girando o bambolê.  Deborah Monteiro ----------------------...
Amar dói, não amar teima em doer ainda mais, mar que não se entra,  já perdi o medo da água a tempos, só não há pelo que navegar.  Remar por remar? Não me basta! O porto fica sem rosto,  o mar insosso,  não dá...  Mas sinto que a maré ainda vira,  depois do ano novo. Saravá, Yemanjá!
Você senta em frente ao balcão daquele bar descolado e troca a maior ideia com a moça incrível que te serve a melhor pinga com mel da vida, chegam mais amigas.   Papo vai, poesia, papo vem, religião, papo vai, fotografia, papo vem, manifestação... Chega um homem. Blá blá blá teu cabelo, blá blá blá eu sou foda, blá blá blá tô solteiro... Passa um tempo e ele já se sente livre para dizer que uma amiga tem cara de safada e a outra de doente. Ou então, para te dar conselhos amorosos gratuitos que entrelinhas discursam "obedeça seu homem". Aí, no meio de um blá blá blá qualquer desses, você simplesmente responde à altura e recebe de volta um “Nooossaaaa, chupa esse limão” que o cara diz, fazendo questão de roubar um limão do balcão para te entregar... Tendo vivido três vezes essa mesma cena com algumas alterações temáticas nos diálogos, só posso dar a você um conselho:    “Quando um homem te der um limão, faça uma limonada...e esfregue nos olhos dele”
Para ter respeito, menina, sente-se quietinha, vista-se adequadamente, não saia sozinha, pareça virgem, apanhe calada, seja séria pra eles, vadia só pra mim, não reclame, escolha a cor do esmalte, simpática com todos, malandra com todAs, Para ter respeito, sente-se direito. Ou seja homem!

A quem vem

  O trem já tem me feito um bem, que nem lhe digo, alguém há de rodar comigo. Vem... Ô, meu amigo zen, doa teu medo a quem dança o perigo. Nem liga, que eu sigo bem Ao desjuízo, amém Trilha meu riso O trem

Foco no "eu-sozinho"

Mais um que sai, nada muda. Pois quem subiu, nem se iluda, pensa que foi por si só. Se só, quem deu condição? Quem foi que deu condução? E rumo pra tu andar? Sei não, herói sem povo, comove, mas aqui encima nem sobe, tem medo do irmão cobrar   a parceria que era quando este se esfolava, trazia a carne e cortava  pro campeão estudar. Se tens astúcia e coragem pra erguer montanha, abra margens e chame os teus pra plantar.

E como

Eu como Autores, Amores, Atores. Me abro Como janela para que respirem.
O homem do telejornal mandou avisar que hoje vamos debater a Educação Brasileira. Hoje, depois da propaganda, da receitinha, propaganda, da tardezinha, propaganda, da novela, propagada, do futebol, propaganda, da criança-propaganda... Depois de um plim e de outro, depois que eles votarem em que filho de diretor ganhará o prêmio de melhor ator, depois do filme blasé nada a ver com você...É agora, debateremos:  - Dr. Martins, o senhor que é professor na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, poderia nos responder em 2 minutos, qual é a real cor da maçaneta da porta da Secretaria Municipal de Educação? L

Aponta pra cabeça

Aprisionei, doutrinei, escondi Mas a raiz é bem mais forte, Resistiu! Pra me mostrar que fio enrolado não é “look", É mensagem… Diz o que sou, de onde vim e pelo que bato no peito Aí, cê vem com essa história de “curti”, “amei”, “vou aderir” Se liga, princesinha, teu “ babyliss” não representa a chapa quente que eu vivi aqui. ... Inspirado no texto "O cabelo mais caro do mercado é o cabelo negro?" de Dica L. Marx :  http://dicalmarx.wordpress.com/2013/05/13/cabelo_mais_caro_mercado_cabelo_negro/#comments