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Mostrando postagens de agosto, 2020

Aurora

Voltei aos poucos a sentir meu corpo. Mais vazio do que nunca. Magro e frágil, do jeito que foi preciso manter. O formato ideal para que qualquer  homem mirradinho e sem graça se sentisse forte e poderoso. Nenhum espelho em volta, mas sabia que não estava bem. A sensação de ter sido atropelada por um caminhão me dominava. Estava em cacos. Braços sem força, boca seca, cabelos bagunçados. Logo eu que já gastei tanto dinheiro e tempo com meus cabelos para mantê-los lisos, ou melhor, alisados. Nem me lembro mais como era a textura, o cheiro dele sem química, as suas formas... Só me lembro eram muitas as possibilidades, para os cabelos e para a vida. Hoje em dia, as opções se restringiam a: lisíssimo, de preferência solto e, eventualmente, preso em um penteado “chique”. Não era só estética, nunca é. Meus cabelos deviam passar uma mensagem:  eles diziam que eu era uma daquelas mulheres, que podia estar ali, fazer parte daquele ambiente. Ainda que a cor da minha pele escancarasse um ...