Foto de May Agontinmé O homem caminha para frente, puxando um carrinho bem cheio. Dentro do carrinho, matéria. Dentro do homem, só calma. Mesmo com a garoa que cai, mesmo com a noite que vem lentamente. Observa a placa de “para” e segue. Atravessa a rua atrapalhado pelo tráfego. Madeira, papelão e latinhas pesam. Encontra um obstáculo para subir à calçada, supera-o. De repente, para e abaixa-se olhando para o chão, parece procurar alguma coisa ou alguém ali embaixo, olha para longe por onde passou, deve estar sentindo falta da cachorrinha que ficou com medo da chuva. Aproveita a parada para organizar as coisas: madeiras nos cantos, materiais mais leves no centro, maiores embaixo, pequenos por cima, ajeita tudo aquilo como um mestre de tetris das ruas. Enterra o boné na cachola. A chuva o convida a tomar rumo. Segue, segue, segue... Quase saindo de nossas vistas, de nossas vidas... cu...
Tem hora que a indignação assassina a poesia Não tenho rima pra “redução da maioridade penal” E se tivesse, de que serviria? Decreto aqui prisão perpétua aos meus poemas Porque são pretos, Porque são pobres E porque são cada vez menores os motivos pra sonhar!
Seu Elevador de trás eleva a dor que me traz ser visto por aqui como descarga social. Meu Rg não resolve, É documento, é papel Não mascara minha cor Onde racismo é oficial Sua fumaça não me espanta O teu faro é de opressor É história sim, doutor, nossa história nacional.
Você é pura inspiração...
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